sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Era uma vez... a Arteterapia e os Contos de Fadas

Era uma vez... a Arteterapia e os Contos de Fadas


O trabalho com arteterapia é para mim sempre um novo desafio, buscar recursos, sensibilizações, e o tema, mas o objetivo para as oficinas é,o mais importante destes itens .

O conto de fada nos possibilita o conhecimento de cada individuo e dos outros, nos apresenta situações semelhantes as que vivemos, e junto com elas traz as soluções encontradas pelos seus personagens

Os contos trazem em seu bojo materiais simbólicos, ao trabalharmos com eles e entrarmos em contato com os diferentes conteúdos simbólicos, estamos criando possibilidades de novas atitudes frente as nossas dificuldades. Desta forma o conto de fadas não é somente uma informação útil sobre o mundo exterior, mas sobre os processos interiores que ocorrem em todos os seres humanos. Por este motivo que o considero excelente para ser usado como sensibilização de oficinas de arteterapia

Por trazer temas universais é que observamos sua permanência entre nós através dos séculos, bem como a razão do fascínio que o simples ato de sentar-se junto aos outros para ouvir uma história ainda consegue despertar, mesmo frente a um mundo cheio de brinquedos e maravilhas tecnológicas. Pessoas de todas as idades também se encantam com os contos de fadas.

Acredito, portanto que as mensagens inseridas nos contos de fadas vão ao encontro dos anseios das diferentes faixas etárias e trabalham com os dilemas da humanidade desta forma independente da idade que nos encontremos os contos de fadas podem nos trazer mensagens muito importantes, além de nos possibilitar vislumbrar novos caminhos

Coelho (1987) assegura que Contos de fadas são narrativas, que têm seu desenvolvimento dentro de uma magia povoada por reis, rainhas, príncipes e princesas, onde existem metamorfoses, objetos mágicos, ogros , bruxas , com ou sem fadas, tendo sempre um eixo central, e uma problemática existencial

Para Marie Louise von Franz (1990), os contos de fadas espelham as estruturas mais simples e também a mais básicas, isto é, o esqueleto da nossa psique. Os contos de fadas têm uma linguagem universal que é entendida por todos.

Ele esta além das diferenças culturais e raciais podendo desta forma, fazer a migração de um país para outro, sua linguagem de certa maneira é internacional de toda a espécie humana, não levando em conta idade, raças ou culturas.

Em seu livro “A interpretação dos contos de fadas” Franz (1990) coloca que para Jung uma imagem arquetípica não é somente um pensamento padrão (estando desta forma ligada a todos os pensamentos), mas é também uma experiência emocional do individuo.
Nise Silveira (2001) coloca que segundo Jung os arquétipos são possibilidades herdadas para representar imagens similares, são formas instintivas de imaginar.

Os arquétipos se manifestam simbolicamente em religiões, mitos, contos de fadas e fantasias Os arquétipos presentes no inconsciente coletivo são universais e idênticos em todos os indivíduos. Entre os principais arquétipos estão os conceitos de nascimento, morte, sol, lua, fogo, poder e mãe. E estes temas são encontrados em muitos contos de fadas. Quando os arquétipos se manifestam, já não são mais eles que são percebidos e sim suas representações, ou imagens arquetípicas

Ora se os contos apresentam estas características porque não utilizá-los nas oficinas para mulheres!

Os contos vão ajudar as mulheres a trabalharem com diferentes arquétipos assim como acontece com os mitos. Isso porque os contos de fadas possibilitam que os conteúdos que estão no inconsciente venham a tona fazendo desta forma, uma ponte de conexão do consciente com o inconsciente. Sendo assim estes contos são importantes na medida em que ativam o mundo do inconsciente o qual não temos acesso de maneira consciente, e trazem através das produções a visualização destes conteúdos internos.

Moreno (2002) coloca que os contos de fadas falam através de imagens questões relacionadas ao inconsciente pessoal e também o coletivo usando imagens arquetípicas.


Marie Louise von Franz (1990) afirma que em sua maioria os contos de fadas giram em torno do Símbolo do Self, ainda podemos encontrar em muitos contos temas que evocam os conceitos dos arquétipos da Sombra, Animus e Anima. Esta autora afirma que os contos de fadas podem ser considerados um sistema relativamente fechado, e que possuem um significado psicológico essencial. Todos são de muito valor, pois não há segundo a autora, hierarquia de valores do mundo dos arquétipos

Porem qual conto usar que recursos trabalhar, com que material, e para que grupo... Estas são perguntas constantes, e que nunca devem deixar de acontecer no momento de se organizar uma oficina.


Exemplificando : os contos usam o simbolismo para lidar com os seus mais diversos temas, Peter Pan lida com a vontade de permanecer sempre criança, o Patinho Feio é um conto que se presta para trabalhar com o diferente, com o processo tão atual da inclusão de portadores de necessidades educativas especiais nas salas de ensino regular. As bruxas e fadas trabalham com o arquétipo da grande mãe nos seus pólos positivo e negativo.

Portanto se temos um grupo, onde percebemos que a tonica é que estas mulheres por motivos diversos se sentem excluídas , ou diferentes das demais podemos lhes recontar o conto do patinho feio e a partir dele trabalhar com reconstrução ..... Procurando figuras que não são aceitáveis, por serem diferentes ou não bonitas, reconstruir algo aceitável , bonito ... Pintando sobre, colando algo sobre a figura que a transforme.

Dieckmann (1986) enfatiza que as bruxas e monstros que encontramos nos contos nada mais são do que os nossos medos, nossas angustias, inseguranças, com os quais temos que lutar, esta luta acontece em um plano diferente dos contos onde são vividas nossas fantasias através da imaginação.

Se o trabalho realizado com mulheres nos possibilita lidar com seus sentimentos de medos, angustias insatisfações, e usamos os contos de fadas que trazem as dificuldades do dia a dia de uma família, ou contos de falam sobre não ter filhos, sobre madrastas... Sobre o ser diferente, fadas e bruxas, estaremos lidando com a persona , a sombra ...quem são nossa bruxas , nosso lobos maus .... Nossos monstros, ogros?

E.. assim foram felizes para sempre ....

Bibliografia de referencia

Coelho, Novaes Nelly .Literatura infantil – Teoria - analise – didática. São Paulo Moderna 2000

Dieckmam, Hans. Contos de fadas vividos.São Paulo. Edições Paulinas1986

Silveira ,Nise da . O mundo das imagens , São Paulo Ática 2001

Von Franz, Marie Louise. A interpretação dos Contos de fadas. Paulo: Paulus. 1990

5 comentários:

  1. Que autores você sugere que eu leia para ter uma idéia sobre que atividades em arteterapia se pode usar para trabalhar com contos ou com mitos, que faça essa relação que você fala entre o tema, o conto ou o mito e a atividade, mostrando porque essa ou aquela atividade tem a ver com esse ou aquele conto? Você conhece alguém que dê cursos sobre isso? Tenho tido dificuldades em achar isso, eu encontro isso nos livros que você citou aqui?

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  2. Olha só . Existem alguns livros que vem trabalhando com os mitos e contos juntos , um deles é Deuses e fadas de Sonia Branco , wak editora e o ultino livro de Patricia Pinna o volume V tambem. Se vc quiser e tiver um grupo pq não estudarmos isso!!quando a gente vai estudando um e outro consegue fazer as relações. Estou querendo trabalhar com um grupo para oficinas com mitos de deusas e podemos ate juntar contos para mulheres .... estou esperando um alo seu !!!!!

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  3. Não tenho um grupo, você conhece algum grupo que já esteja formado e esteja estudando mitos e arte-terapia? A Sonia Branco ou a Patrícia Pinna dão cursos sobre algo assim, você sabe?

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  4. A Sonia Branco e do rio e não sei te informar . mas a Patricia Pinna sempre dá cursos, sei que há um em andamento eu sempre faço cursos com ela é muito boa , mas não estou fazendo este semeestre. qq coisa te aviso .

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  5. Olá, sim, eu ministro cursos sobre o tema. Entre em contato pelo meu site: http://soniabranco.no.comunidades.net

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