sexta-feira, 25 de março de 2011

...Criando oficinas...

Na minha vivência como arteterapeuta percebi o quanto é importante preparamos as vivencias que vamos fazer com o nosso grupo. Já falei algumas vezes que o conhecimento do grupo é muito importante e que podemos usar alguns recursos para isso, mas hoje não vou me ater a estes recursos. Vou tratar das etapas que utilizo quando faço alguma vivencia. A sensibilização, a proposta e a finalização.

Cada um destes momentos tem sua importância, conhecendo o grupo, posso traçar objetivos os quais pretendo trabalhar, já trabalhei com grupos na maioria deles: mulheres tive grupo da terceira idade, de mães de portadores de crianças necessidades especiais, de adolescentes de uma ONG. Cada um destes grupos tinha necessidades especificas, partindo destas necessidades montava minhas vivencias.

Com o grupo de terceira idade trabalhei com o resgate da sabedoria, com as novas possibilidades de vida, com as qualidades individuais. Com os jovens trabalhamos com o resgate da infância, o brincar e a responsabilidade, com, mas mães de crianças portadoras de Necessidades Especiais trabalhamos com o resgate da mulher!
Sendo assim vivèncias diferentes, públicos diferentes, sensibilizações, portanto também diferentes. Ou sensibilizações iguais e produções diferentes!

Partindo do principio que a sensibilização é a que dará origem ao trabalho, deve ser preparada e pensada com muito cuidado, um dos recursos que mais gosto são os contos.

Trabalhei , portanto com contos para mulheres com a terceira idade, com os jovens, foi tudo diferente, acreditem trabalhamos com alimentos (lanchinhos), eles eram muito carentes e o alimento os ajudava neste vinculo amoroso, e com as mães, usei vários recursos, contos textos, música
Tendo em vista a sensibilização, parto para a proposta, este é também é um momento super importante, a escolha do material, o que realizar como propor...


Então já usei massinha, argila, juta, caixas de sapato e outras caixas, tecidos, papel colorido, guache, tinta a dedo, pequenas telas, trabalhamos com mosaico e recorte e colagens, enfim uma gama imensa de atividades... Fizemos entre outras coisas o nosso jardim interior, mandalas, caixas com mosaico, bordamos com lã, fitilho na juta, usamos feltro .


Já finalizamos , conversando , abraçando, escrevendo... Compartilhando, Ah e sempre com a leitura de uma cartinha...

Vejam como há o que pensar: o grupo, o nosso objetivo, a sensibilização, a proposta, a finalização... e quando vamos trabalhar num continuum , o que fazer no próximo encontro , uma seqüência.

Entre os trabalhos que já fiz alguns me marcaram mais um deles foi com as senhoras, foi com este grupo que fiz a parte prática para minha monografia. Foram 5 contos como sensibilização, vivencias variadas e a finalização conversa, cartinhas... Outro trabalho que gostei muito foi realizado na faculdade Mozarteum trabalhei com um grupo muito grande, não conhecia a turma então busquei um tema, a Grande Mãe Fadas e Bruxas, através do Conto Vasalissa, é bem diferente quando trabalhamos com grupos grandes diversificados, isso também aconteceu num Congresso em Recife; pois não há vinculo, as pessoas normalmente estão lá para aprender.


Trabalhei várias vezes usando o conto O Alfaiate Desatento de Regina Machado do livro Formiga Aurélia, em todos os grupos sempre propus buscarmos a possibilidade que temos de transformar.



A primeira vez que trabalhei com este conto, ofereci papeis diversos e os fundos de pizza (senhoras da terceira idade ) trabalho este, que fez parte da minha monografia.

Outra vez trabalhei este mesmo conto, numa oficina com as Senhoras que faziam um atendimento junto ao profissional onde também eram atendidas as mães de crianças com NE, mas neste ofereci as cartolinas cortados como botões. Ai ofereci lãs e tecidos como: feltros, tules . Também trabalhei com este texto com um grupo do Congresso em Recife, Lá levei cartolinas, sem cortá-las como botões , os feltros, tules e diferentes tecidos. As produções foram diferentes, não em forma de botão.

É interessante observar que os materiais semelhantes, e a mesma sensibilização, a individualidade faz com que as produções sejam diferentes.

Sendo assim podemos concluir que, a sensibilização pode ser a mesma, vejam em todos os grupos contei este conto, os recursos até podem ser os mesmos, ou semelhantes, mas as produções sempre trazem à tona: as dificuldades, as aflições ou as alegrias de cada um, isso faz com que nos grupos não encontremos trabalhos iguais. Cada individuo é único. Cada grupo tem a sua peculiaridade.

A minha proposta em todos os grupos foi à mesma; que transformassem o botão do alfaiate no que desejassem.

O mais importante de ressaltar é que em todos os grupos, os participantes se sentiram bem, perceberam que independente da idade que tenhamos, da vida que tivemos , das dificuldades enfrentadas ou não , podemos transformar: situações, ações, atitudes, este era meu objetivo e ele foi atingido.

Sempre na finalização gosto de ter um retorno, como foi desenvolver esta atividade, porém em grupos maiores isso se torna muito difícil alguns se sentem envergonhados, em congressos o tempo por vezes é curto, então peço somente uma palavra , nos demais grupos fica mais tranqüilo e normalmente os participantes por já terem formado um vinculo , gostam de falar de se colocarem na maioria das vezes encerro com uma cartinha que traz uma mensagem
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2 comentários:

  1. Muito Obrigada! Seu relato ajudou-me muito a desenvolver uma oficina para amanhã! Parabéns pela sensibilidade!

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  2. Olá , fico muito contente ao perceber que os meus textos estão ajudando quem os le ...Grata por me visitar
    Bjs

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