quarta-feira, 30 de março de 2011

As bruxas nos contos de fadas – uma síntese e uma releitura do meu mestrado: parte I

Quando resolvi fazer meu mestrado já tinha em mente trabalhar com os contos de fadas, também pensava em trabalhar com os mitos, mas com as orientações de meus professore fui fechando o tema. Quanto mais abrangente é o tema, mais difícil se torna a pesquisa então eu tinha, o tema dos contos de fadas, mas focar o que dentro deste tema que é vastíssimo, com o andamento do mestrado fui afunilando, os personagens? , ainda era amplo, as mães? , então as grandes mães, nela a bruxa, desta forma nasceu ” as bruxas nos contos de fadas” . Com o tema decidido então parti para eleger o que estudar em relação a bruxa, sendo ela é a grande mãe no seu aspecto negativo , fui buscar qual a sua contribuição nos contos e qual a visão das crianças a seu respeito, visto que nos dias atuais, com os filmes e os jogos de vídeo games as vezes tão assustadores , a minha questão era será a bruxa ainda uma personagem que é vista como do mal , que assusta, amedronta. Para passar o que pesquisei, vou fazer uma pequena síntese dos capítulos, para que possam entender o meu raciocínio. Estarei, portanto colocando alguns trechos da dissertação, juntamente com minha visão atual deste tema e algumas novas informações, isso porque, não saberia somente copiar e colar aqui o que já escrevi sobre um tema que venho estudando muito tempo, e que a cada nova leitura, novos esclarecimentos, novos pontos de vista . Estou dividido os assuntos para postar um após o outro para que não se torne longo, nem cansativo demais esta leitura. Ah!! Vou colocar algumas ilustrações que não foram possíveis na dissertação. E vou colocar em itálico meus pensamentos atuais. Vou iniciar tecendo alguns comentários sobre os contos de fadas Escolhi alguns contos para fazerem parte dos meus estudos, e fiz questão de trazer às crianças a versão de Grimm de uma coleção que era minha quando criança, as suas folhas amareladas, e os contos sem muita ilustração : João e Maria , Branca de Neve , Rapunzel, que foram contados em uma pré escola, sendo que a partir deles fiz a minha analise prática. Esta coleção é bem antiga e nela os contos me parecem ser os originais.

Sobre os contos de fadas acredito que estes são importantes por fazerem a ligação entre o consciente e o inconsciente , trazendo em seu bojo conteúdos da sabedoria popular ,os conteúdos simbólicos que vem caminhando a muito tempo até chegar aos nosso dias, . Von Franz afirma que para Jung “o conto de fadas é, em si mesmo, a sua melhor explicação” Seu significado está contido na totalidade dos temas que ligam o fio da história”( apud von Franz 1990, p. 9). Sabemos que os temas encontrados nos contos de fadas são comuns a toda humanidade, são situações vividas por crianças e adultos nas suas famílias, os personagens dos contos permanecem por nossa vida, sempre presentes, quem não se lembra do dialogo entre o lobo mau ( fingindo de vovó ) e chapeuzinho vermelho ... Até hoje me lembro de um disco com esta história e as falas dos personagens parecem tão nítidas na minha memória !! “mamãe é o anjo bom que zela por sua vida “”. A música dos caçadores, alguém se lembra ? Nos contos sempre encontraremos rainhas, reis, princesas, príncipes e ainda as bruxas, fadas os quais transitam pelo conto fazendo o inesquecível. Este personagens vivem representações arquetípicas de pais, mães filhos e por este motivo que é tão fácil nos identificarmos com os personagens dos contos de fadas.. Em minha dissertação coloco: Jung, ao estudar mitos, percebeu que os contos de fadas, também continham ensinamentos vindos da sabedoria popular. Em suas pesquisas sobre os arquétipos, constatou - os presentes em mitos e em contos de fadas. (von Franz 1990) Continuo meu texto: Von Franz (1990) comenta o motivo que Jung e a Psicologia Junguiana têm para estudar os contos, deve-se ao fato de ser “nos contos onde melhor se pode estudar a anatomia comparada da psique” (Jung apud von Franz 1990 p 25 ) pois nos contos existe um material cultural que tem suas raízes no imaginário da psique coletiva, possibilitando a criação de imagens diferenciadas Outra colocação que faço baseada em Von Franz: Von Franz (1985) afirma que as tendências inatas, os arquétipos que encontram – se nos contos, podem ser influenciados pelas civilizações nas quais se originaram. Ainda os contos apresentam uma estrutura simples, básica o que lhe permiti fazer sentido para qualquer pessoa. (von Franz 1985) Ora estes já são motivos mais do que suficientes para que eu os use como sensibilizações em minhas oficinas, pois através deles trabalho com os problemas existentes na humanidade e também com os arquétipos neles contidos para mim isso tem um enorme valor. Bettelheim (1979) coloca que nos contos de fadas vamos encontrar o bem e o mal, eles la estão inseridos nas ações dos personagens , e sabemos que em nossa vida podemos tanto agir ou vivenciara situações onde existe o bem e o mal E portanto esta dualidade que faz com que as crianças esperneiem as diferentes possibilidades de ação assim com busquem subsídios para resolver seus problemas. Os contos nos mostram formas diferentes de agir frente s situações de nossa vida e também nos levam a olhar para as possíveis soluções, ainda mostram fadas madrinhas, boas mães, mães ruins, madrastas más e perversas, bruxas, pais ausentes... enfim tudo isso esta presente nos contos e na vida de todos nós. Já perceberam que os conto tem uma estrutura que se mantém, quando busquei por estas informações li vários livros constatando o que Von Franz afirma que : Os contos de fadas, sempre acontecem em um tempo e em um lugar. Mas estes não estão claramente especificados. Isto porque na terra de ninguém os contos começam assim: “Era uma vez, num castelo”... ou então “Numa extremidade da terra onde”... Isso pode ser entendido como uma eternidade atemporal, de agora e de sempre. Depois o conto apresenta as pessoas envolvidas, “um rei que tinha 3 filhos”... Percebe - se que existem 4 personagens e que por ex: a mãe está sendo omitida desta história. (Von Franz 1990). Posteriormente surge o problema ou a situação principal. Sempre é apresentado no início da história, pois se não o apresentar, logo no início, não haverá história. Na continuidade encontram-se os altos e baixos que constroem o enredo do conto. Seguem as provas pelas quais o herói terá que passar, podendo receber ou não a ajuda dos elementos mágicos, a aparição das bruxas e magos, ou das fadas, e na maioria das vezes um final feliz. Esta é uma constante nos contos de fadas esta autora coloca que o final da história é sempre muito importante, pois quando entramos no mundo da fantasia, temos, portanto de voltar ao mundo real , de onde nos afastamos por um tempo . Gosto muito desta colocação de Campbell (apud Busatto 2004) quando coloca que “um conto de fadas é um mito para a criança. Há mitos certos para cada estágio da vida” (p. 30).

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