quarta-feira, 27 de abril de 2011

Páscoa. Passagem

A Páscoa tem como simbolismo a passagem, atualmente não existem mais ritos de passagem como antigamente, isso faz com que não tenhamos mais ritos que nos inserem nas diferentes fases da nossa vida; a passagem de criança para jovem, de jovens para adultos, de adultos para velhos.

Há um ponto de vista que pode ser analisado ao se trabalhar com o tema da passagem, e que vou me ater neste artigo, é a passagem da mulher jovem, para a mulher madura, e esta para a velhice, ou ainda o viver cada etapa de nossa vida com sabedoria.

Estés em seu livro Ciranda das Mulheres Sábias escreve que existe um arquétipo das mulheres sábias, no qual as avós estão inseridas, porém ela ressalta que a este arquétipo pertencem as mulheres de todas as idades, nas quais estamos inseridas, esclarece que ao falar sobre as avós como representantes deste arquétipo, não está se referindo a idade cronológica, e sim aos diferentes estágios pelos quais nós mulheres passamos

Para se ser uma mulher sábia , não precisamos, portanto, sermos avós , termos uma determinada faixa etária , necessitamos sim, participarmos desta grande caminhada que é ser mulher. É, portanto acumular as conquistas adquiridas ao longo da vida, mesmo que estes ganhos tenham surgido através de derrotas, de decisões equivocadas ou acertadas, de fracassos ou acertos, recomeços dolorosos ou radiosos, é ser “grande” ao invés de ser apenas “uma mulher comum”,ao acumular estas conquistas a mulher poderá possuir maior criatividade, maior autoconhecimento, coragem, e sabedoria, o que a fará uma mulher diferenciada, uma Grande Mulher , uma Grande Mãe.

Afinal podemos ser mães reais de lindas crianças, assim como podemos também gerar idéias, processos, novas posturas, Esta autora coloca que na mitologia o que é importante para a mulher é florescer em cada estação de sua vida Estés coloca que as mulheres independente de sua idade, devem viver o arquétipo da mulher sábia, que significa viver a vida plenamente.

Sempre todos os dias, sempre com seu livre arbítrio, seu autoconhecimento. Isso para mim é muito significativo, todas, independente de idade temos ganhos, temos conquistas e podemos desta forma viver cada momento na sua plenitude.

Se você gosta de contos de fadas, já deve ter percebido que na maioria deles a mulher mais velha é a que tem em seu poder a sabedoria, para ajudar as mais jovens, as quais ainda inseguras, recorrerem a elas pedindo ajuda e conselhos.


Estés (2007) coloca que a mulher nova e a velha se complementam, isso é, elas juntas simbolizam dois aspectos que vamos encontrar na psique da mulher, ela diz “a alma da mulher é mais velha que o tempo e seu espírito é eternamente jovem” sendo assim, vemos o quanto cada fase de nossa vida é preciosa, e que nada deve ser considerado a mais ou de menos.
Concordo com Estés quando ela afirma que somos abençoadas e que apesar de alguns de nossos caminhos serem mais tortuosos, e que por vezes nos fizeram cair, do tempo que perdemos, das incertezas, das hesitações, estas situações se tornam os recursos que temos para crescer, para ir adiante, sempre

Ainda no seu livro "Ciranda das Mulheres Sabias", Estés faz uma comparação que muito me agrada, entre a mulher e árvore, ela coloca que a árvore contém em suas raízes, isto é, abaixo dela na terra, outra árvore que é uma “arvore oculta “ que lhe dá os subsídios para que cresça, isto significa que nós mulheres sempre temos uma “mulher oculta”dentro de nós, que está sempre nos levando a buscar o nosso eu maior, para a vida , para as novas conquistas, pois assim como algumas árvores conseguem sobreviver com as intempéries da natureza, nós também somos capazes de sobreviver apesar dos caminhos difíceis, dos dissabores, das inseguranças, pois somos como árvores, pois temos raízes na terra e podemos retirar dela os nutrientes para nossa sobrevivência,

Alguns contos e mitos nos mostram esta passagem que é um símbolo muito forte, o conto Vassalissa pode ser trabalhado sobre diferentes aspectos, penso que podemos trabalhar com arquétipo da Grande Mãe, como numa oficina que realizei na faculdade Mozarteum de S. Paulo, assim como pode ser trabalhado no processo de transformação da menina em mulher e o caminho do herói que teve que passar para atingir esta passagem.

Ainda podemos aproveitando a comparação da mulher e árvore, trabalhar com a confecção de uma arvore com arame e argila, pois assim estará trazendo a sua mulher interior e oculta para fora.
Portanto a passagem é quase sempre difícil Gould (2005) coloca que as transformações não são reversíveis, elas acontecem no nosso interior e podem causa dor, envolvem o subir ou descer de um nível a outro da consciência , conseguindo então vislumbrar onde estamos e onde queremos chegar .este autor ainda coloca que na maioria das histórias apesar da jovem não se dar conta é a mãe natureza , vestida de bruxa , ou de madrasta ou ainda de da décima terceira fada, que nos leva ao esta passagem , esta transformação que é o processo de crescimento. Fazendo o que a Boa Mãe não fará pois este prefere ter a sua filha sempre criança ao seu lado.

Finalizo este texto que fala de passagem e de transformação como texto de Gould ela diz:
“ .. todos nascemos para sermos mudados , dizem nos as histórias; estamos sempre em movimento de uma transformação para a seguinte , quer queiramos ser transformados ou não” isso porque ela faz parte de nossa vida sempre .


Bibliografia de referencia
ESTES PInkola Clarissa . A ciranda das mulheres sábias ser jovem enquanto velha.Velha enquanto jovem . Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2007
GOULD Joan. Fiando palha tecendo ouro o que os contos de fadas revelam sobre as transformações na vida das mulheres Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2005


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