sábado, 29 de outubro de 2011

Como vai sua criatividade







Ser criativo é muito importante para nos arteterapeutas não acham?

Penso que nós devemos ser criativos e devemos também incentivar e favorecer a criatividade em nossas vivencias. Vários autores falam desta importância de se deixar fluir a criatividade.
Pain e Jarreau ( 2001) nos falam também da importância de um local onde sejam realizadas as vivencias , denominam este local de atelier , afirmam que la os integrantes de um grupo se sentem mais protegidos e seguros. isso quer dizer que todo o trabalho arteterapeutico deve ser realizado em um local pré determinado , para que la possam estar ao materiais necessários para cada encontro e que cada participante se sinta confortável e acolhido .

Souza ( 2005) afirma que através da arteterapia , quando usamos o criar de maneira espontânea , temos então a possibilidade de aumentar nosso autoconhecimento ,nossa auto estima, assim como somos estimulados para uma vida mais participativa e com certeza também mais criativa , esta autora relata que Jung coloca que o processo criativo incidi na mobilização do nosso inconsciente pessoal e do coletivo também.

A palavra Criatividade vem do termo grego –GREER que significa – fazer, produzir e criar, sendo assim temos que o ato de criar e ser criativo vem de longa data, pois os gregos já usavam estes termos. Já Platão acreditava que a criatividade era uma forma de loucura e Sócrates afirmava que era uma inspiração divina. Descarte acreditava ser um tipo de intuição que vem da alma e Kant vê a criatividade como sendo um processo que mesmo sendo natural tem leis imprevisíveis. E Einstein vê criatividade como sendo um mistério. Sendo assim temos varias e diferentes definições sobre a criatividade, mas o eu me parece mais admirável, é perceber que diferentes pensadores se preocuparam em defini la , a meu ver isso a torna mais importante ainda

Vejam que bonita esta colocação de Viegas (1997) com a qual concordo plenamente ela afirma que a criação e o amor caminham juntos e continua, diz que devemos nos apaixonar e ter uma relação de abertura frente às coisas, acredito, portanto que este fazer apaixonado é criativo , é livre, é espontâneo ,gerando uma situação prazerosa e agradável de ser realizada assim que vejo as vivencias , como momentos prazerosos de descobertas.

Prado coloca que ser criativo é pensar e conhecer, duas maneiras de se realizar aquilo que ainda desconhecemos, o não conhecido e que aos poucos vai sendo realizado, há, portanto uma construção de novos conhecimentos.

Acredito assim como Prado, que quando criamos deixamos de repetir padrões buscamos explorar novos caminhos e conceitos, a busca de algo que ainda não existe e esta ainda para ser criado, desta maneira seria como estar só caminhando por locais ainda não conhecidos por nós.

Outra autora Aldana faz uma colocação que me agrada bastante, afirma que a criatividade é uma maneira especial de pensar, sentir e atuar e que esta maneira de agir nos faz chegar a um resultado original, ora quando desenvolvo vivencias com mulheres, percebo que ficam encantadas e admiradas com suas produções, o que me parece ser porque notam que fizeram algo único e original, e estas produções as encantam, nelas criam a possibilidade de ver seu eu interior

Alguns autores entre eles os especialistas Guilford ( âmbito psicológico ) Lowenfed ( nas artes visuais ) e Torrance ( no pedagógico ) colocam que existem indicadores da criatividade que são : originalidade – que pode ser entendida como agir ou fazer aquilo que nos surpreende , ou que é inesperado
A produtividade – que é vista como sendo o atuar com fluidez e fertilidade, outro indicador de criatividade a flexibilidade que é entendida aqui como a capacidade que temos de olhar para as coisas, os fatos sob diferentes ângulos. A elaboração também é considerada por estes autores como índice criativo, sendo entendida como a capacidade de conseguir trazer para a realidade algo idealizado, o penúltimo critério em relação à criatividade seria a síntese, que significa o planejamento, as idéias, e os diferentes interesses. E o ultimo critério é a comunicação que é a capacidade de transmitir novas idéias aos outros conseguindo deles a credibilidade.

Penso que para no fazer arteterapeutico, todas são importantes, mais a que acho primordial é a flexibilidade, pois ela que nos abre as portas para as novas posturas, novos fazeres. No decorrer das vivencias podemos ir notando que alguns destes indicadores começam a surgir, outros vai sendo incentivados.

Cada vivencia pode fazer com que as participantes tenham novos olhares para o seu jeito de agir, para seu atuar no mundo, cada recurso poderá proporcionar que alguns participantes aprendam a olhar o mundo através de outros óculos, outros focos. Poderá fazer com que olhem para suas produções e vejam algo surpreendente, que antes não haviam tido possibilidade de enxergar. Isso porque como coloca Souza (2005) “a criatividade é a expressão da vida”. Vou mais alem penso que é a possibilidade de se encontrar com o novo com a alegria de viver e poder olhar para sua produção que poderá sintetizar as novas descobertas em relação aos momentos da sua vida, de seu mundo,do seu dia a dia , é ainda saber ouvir a voz de seu eu interior , que esta visível nos trabalhos , nas pinturas , colagens .

Acredito também que quando ativamos a nossa criatividade podemos achar soluções criativas para os nossos problemas e isso é muito valioso nas vivencias

Ate agora falamos de como os participantes das oficinas podem ser criativos e como
eu entendo a criatividade, e o papel importante que desempenham, mas nas vivencias,
mas há outra questão presente pois ela é composta por arteterapeutas e os participantes ( mulheres ) , então eu pergunto e nos
os arteterapeutas, estamos sendo criativos ao desenvolver nossas vivencias, ao buscar os materiais e recursos para serem trabalhados? Aceitamos as colocações criativas de cada participante de nossos grupos? Cultivamos o fazer criativo no nosso fazer arteterapeutico? Trabalhamos com recursos variadas, desenhos, colagens, modelagem, recortes? Desenvolvemos diferentes linguagens em nossas vivencias?

Cabe, portanto refletir sobre o nosso fazer arteterapeutico, penso que cada um de nós aprecia uma maneira de trabalhar, uma sensibilização a qual se adapta melhor , creio que isso acontece comigo e com vocês também . Eu gosto muito de trabalhar com contos e mitos ate porque vejo nestes recursos inúmeras possibilidades de trabalhar com o feminino, com grupos de mulheres, mas ao usa los tento criar novas vivencias a partir deles utilizando uma diversidade de matérias para estas atividades, como velas coloridas, giz de cera, papeis diversos, massinha de modelar ou argila enfim cada conto ou muito poderá ter diferentes propostas de atividade o que as faz únicas.

Desta maneira termino este texto com uma pergunta : Como vai a sua criatividade?

Bibliografia de referencia

Pain ,Sara e Jarreua, Gladys . Teoria e técnica da arte
terapia – a comprensão do sujeito- Artmed
Editora 2001 São Paulo

Souza, Rodrigues Otilia . Longevidade com criatividade – arteterapia com idosos – Armazém de Idéias,
2005 Belo Horizonte



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