quarta-feira, 9 de janeiro de 2013


A menina e o Pássaro Encantado- RUBEM ALVES *
"Era uma vez uma menina que tinha como seu melhor amigo, um Pássaro Encantado. Ele era encantado por duas razões:

 Primeiro porque ele não vivia em gaiolas. Vivia solto. Vinha quando queria. Vinha porque amava.

 Segundo, porque sempre que voltava suas penas tinham cores diferentes, as cores dos lugares por onde tinha voado.

 Certa vez voltou com penas imaculadamente brancas, e ele contou estórias de montanhas cobertas de neve. Outra vez suas penas estavam vermelhas, e ele contou estórias de desertos incendiados pelo sol. Era grande a felicidade quando estavam juntos. Mas sempre chegava o momento quando o pássaro dizia:
Tenho de partir."

A menina chorava e implorava: "Por favor, não vá, fico tão triste. Terei saudades e vou chorar..."
 "Eu também terei saudades", dizia o pássaro. "Eu também vou chorar. Mas vou lhe contar um segredo: eu só sou encantado por causa da saudade que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for não haverá saudade. E eu deixarei de ser o Pássaro Encantado e você deixará de me amar."
 E partia. A menina, sozinha, chorava. E foi numa noite de saudade que ela teve a idéia: "Se o Passaro não puder partir, ele ficará. Se ele ficar, seremos felizes para sempre. E para ele não partir basta que eu o prenda numa gaiola."

 Assim aconteceu. A menina comprou uma gaiola de prata, a mais linda. Quando o pássaro voltou eles se abraçaram, ele contou estórias e adormeceu.
A menina, aproveitando-se do seu sono, engaiolou-o. Quando o pássaro acordou ele deu um grito de dor.

 "Ah! Menina...que é isso que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das estórias. Sem a saudade o amor irá embora..."

 A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar.

 Mas não foi isso que aconteceu. Caíram suas plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar. Também a menina se entristeceu.
Não era aquele o pássaro que ela amava. E de noite chorava pensando naquilo que havia feito com seu amigo...
Até que não mais agüentou. Abriu a porta da gaiola. "Pode ir, Pássaro", ela disse." Volte quando você quiser..."
"Obrigado, menina ", disse o Pássaro.” Irei e voltarei quando ficar encantado de novo. E você sabe: ficarei encantado de novo quando a saudade voltar dentro de mim e dentro de você"!"

Este texto de Rubem Alves se presta muito para trabalhar com as nossa liberdade de ação , fazer o que desejamos e não estarmos presos aos domínios dos outros. No trabalho com mulheres que se sentem aprisionadas nas suas casas sem iniciativa para sair ...Quando estamso livres somos cheios de cores vivas e alegres , quando aprisionados , adoecemos por dentro e por fora. O que aconteceu oa passaro tambem nos acontece . adoecemos.

A liberdade é uma das maiores conquistas que temos desta forma, poder ir  e vir quando deseja é valioso , não há como  avaliar esta conquista só quem já se sentiu prisioneiro o faz . O pássaro perdeu o encanto, nos também ficamos tristes sem vida, sem vontade própria quando aprisionados, esta prisão pode ser física , ou mesmo  das nossas emoções,  dos nossos sentimentos . estar livre é voar com seu fazer , com seu pensamento com suas ações !!!

Creio que podemos fazer varias atividades, uma delas com colagens dentro de uma gaiola, o que esta preso ai dentro!!! Outra a liberdade, colocando livres os nosso desejos podemos fazer com argila o que desejamos  colocar para fora  nos libertar .   

Ainda podemos transformar o que esta preso em algo livre fazendo dois momentos de atividade, um deles com pinturas ( o que esta preso ) o que vamos transformar podemos fazer em papel crepom ...que nos da ideia de leveza. E sobre por ao desenho ...    Nancy Rabello
Conto retirado do post de Rosangela Esper , colocações de atividades Nancy Rabello
 

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