segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Alzheimer não afeta memória musical; entenda como isso é possível



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Mal de Alzheimer traz como consequência a perda da memória. Muitos pacientes acometidos pela doença sequer sabem seus nomes ou conseguem reconhecer o rosto dos próprios filhos. Mas, a doença tem uma peculiaridade bastante curiosa: enquanto grande parte das lembranças se vão, a memória musical fica. Basta colocar uma música que os pacientes ouviram quando eram mais jovens que a lembrança se concretiza e eles passam a cantar a canção.
O que parece uma situação do acaso ou sem muita lógica foi explicado detalhadamente pela Ciência, que investigou a fundo o que acontece no cérebro destes pacientes. Pesquisadores descobriram que o Mal de Alzheimer não atinge as memórias musicais de quem tem a doença.


Tudo está ligado ao fato de que o cérebro armazena as canções em um “compartimento” separado das outras memórias, segundo estudo publicado na revista Brain da Universidade Oxford.
Realizando pesquisas com voluntários, os cientistas chegaram à conclusão que, mesmo em estágios avançados da doença, a pessoa tem capacidade de cantarolar as músicas que fizeram parte da vida dela por conta dessa reserva de memória musical – e isso também tem um efeito terapêutico bem interessante.
Veja abaixo mais detalhes deste estudo.

Alzheimer e memórias musicais

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O estudo publicado na revista Brain trata de pacientes que sofrem de Mal de Alzheimer e mantêm a memória musical preservada. Para chegar a esta incrível descoberta de que a música é guardada em uma parte do cérebro diferente de outras memórias, os pesquisadores fizeram experimentos em duas etapas:
No primeiro momento, eles fizeram ressonância magnética em 32 indivíduos saudáveis, que foram expostos a músicas que eles não conheciam, músicas apresentadas antes do exame e músicas que eles sabiam de cor.


Os resultados mostraram que as áreas de maior ativação cerebral ao lembrar das velhas canções foram o 'giro cingulado anterior', na região média do cérebro, e a 'área motora pré-suplementar ventral', no lobo frontal.
Em um segundo experimento, os cientistas avaliariam diretamente quais áreas do cérebro são, costumeiramente, afetadas pelo Alzheimer. Foram feitos comparativos entre 20 pessoas com Alzheimer e 34 pessoas saudáveis.
O que se viu é que pouca coisa mudou em três marcadores fundamentais para o diagnóstico da doença. A pesquisa comprovou que houve pouca alteração entre os dois grupos no grau de deposição do peptídeo β-amiloide, uma molécula que tende a se acumular formando placas nas fases iniciais da doença.
A atrofia cortical, mais acentuada em pessoas que têm Alzheimer, também apresentou valores mais baixos na região da memória musical destes pacientes, assim como o hipometabolismo.
“Isto é coerente com a ideia de que esta região ainda está numa fase muito precoce de desenvolvimento de biomarcadores”, diz a pesquisa, e não “se deteriorando”, como seria comum à doença de Alzheimer. Ou seja, esta área, definitivamente, não foi tão afetada pelo agravamento da doença como as outras partes do cérebro.
Os pesquisadores ponderam, entretanto, que essa conclusão se dá de maneira indireta. Isto porque eles avaliaram a resposta cerebral de pessoas saudáveis e, então, cruzaram os indícios com os pacientes que têm Alzheimer.
"Seria altamente desejável, embora talvez difícil na prática, testar a hipótese mais adiante em um estudo com pacientes reais com doença de Alzheimer; testar a memória musical e potencialmente coletar dados de ressonância magnética funcional da memória musical deles", destacou um dos pesquisadores.

Música ligada à emoção

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O estudo ainda comprova a teoria que relaciona a música às emoções. Por terem um valor emocional, as canções geram uma codificação mais imediata de memórias no cérebro.
Por isso, a musicoterapia é uma das práticas terapêuticas que podem ajudar a tratar o Alzheimer, como comprovado em estudo por pesquisadores da Universidade de Salamanca.
“Os pacientes com Alzheimer que receberam uma intervenção de música familiar mostraram uma estabilização ou melhoria nos aspectos de autoconsciência”. Portanto, “a estimulação musical familiar pode ser considerada como um intensificador deste fator nestes pacientes”.

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